QA/QC na pesquisa mineral: brancos, duplicatas e materiais de referência

QA/QC é o conjunto de procedimentos que garante e comprova a qualidade dos resultados analíticos de uma campanha de pesquisa mineral. Na prática, consiste em inserir amostras de controle (brancos, duplicatas e materiais de referência certificados) no fluxo de amostras e monitorar os resultados em gráficos de controle.

Geólogo ensacando amostras de testemunho de sondagem

Uma estimativa de recursos minerais é tão boa quanto os teores que a alimentam. Se a amostra foi contaminada, trocada ou analisada com viés, o modelo geológico herda o erro, e nenhum método de estimativa consegue corrigir isso depois.

É por isso que o QA/QC na pesquisa mineral deixou de ser um detalhe de laboratório e passou a ser um requisito para reportar resultados segundo padrões como JORC e NI 43-101. A seguir, explicamos o que cada sigla significa, quais são as amostras de controle e como os resultados são avaliados.

QA e QC: qual é a diferença

QA (Quality Assurance, garantia da qualidade) é a parte preventiva: protocolos escritos de amostragem, preparação e análise, treinamento de equipe, cadeia de custódia e escolha de laboratórios. O objetivo é evitar que o erro aconteça.

QC (Quality Control, controle da qualidade) é a parte de verificação: as amostras de controle inseridas no lote e a análise estatística dos resultados. O objetivo é detectar e medir o erro quando ele acontece.

Um programa completo precisa das duas partes. Protocolos sem controle não comprovam nada, e controles sem protocolo apenas registram problemas que poderiam ter sido evitados.

As amostras de controle

As amostras de controle são inseridas na sequência de amostras regulares, idealmente sem que o laboratório consiga distingui-las. Cada tipo responde a uma pergunta diferente.

Brancos

São materiais sem o elemento de interesse, ou com teor abaixo do limite de detecção. Servem para detectar contaminação durante a preparação e a análise. Um branco que volta com teor significativo, logo depois de uma amostra rica, indica arraste de material entre amostras.

Duplicatas

São uma segunda porção da mesma amostra, analisada de forma independente. Medem a precisão, ou seja, a capacidade de repetir o resultado. Podem ser coletadas em diferentes etapas: duplicata de campo (outra metade do testemunho ou outra fração do material de sondagem), duplicata de preparação (após a britagem) e duplicata de polpa (após a pulverização). Comparar as três ajuda a identificar em qual etapa está a maior parte do erro.

Materiais de referência certificados

Também chamados de padrões ou CRMs, são materiais com teor conhecido e certificado. Medem a exatidão, ou seja, se o laboratório está entregando o valor correto ou se há viés para cima ou para baixo.

Análises em laboratório secundário

Parte das polpas é reenviada a um segundo laboratório independente. Essa checagem ajuda a confirmar que o laboratório principal não tem um viés sistemático que os próprios padrões não revelaram.

Como os resultados são avaliados

Os resultados dos materiais de referência costumam ser lançados em gráficos de controle, com o valor certificado e limites calculados a partir do desvio padrão. Um critério usual é tratar resultados fora de dois desvios padrão como alerta e fora de três desvios padrão como falha, mas os limites de cada projeto devem estar definidos no protocolo antes da campanha começar.

Para duplicatas, são usados gráficos de dispersão e de diferença relativa entre os pares. Para brancos, o resultado é comparado a um limite máximo aceitável, geralmente definido em relação ao limite de detecção do método.

Quando um controle falha, o protocolo deve dizer o que fazer: em geral, o lote de amostras associado ao controle é reanalisado, e a ocorrência fica registrada no banco de dados com a ação tomada. Essa trilha de auditoria é o que permite ao profissional responsável assinar a estimativa com segurança.

QA/QC e o banco de dados geológico

As amostras de controle só têm valor se estiverem corretamente identificadas no banco de dados geológico, ligadas ao lote, ao furo e ao certificado de análise correspondente. Sem esse vínculo, não é possível provar que os teores usados no modelo passaram pelo controle.

Em projetos com dados históricos, é comum que campanhas antigas não tenham QA/QC documentado. Nesses casos, a avaliação pode envolver reanálise de amostras de arquivo e furos gêmeos, como comentamos no artigo sobre projetos greenfield e brownfield.

Como a Geonew trabalha com QA/QC

A Geonew atua na implementação e atualização de bancos de dados geológicos e QA/QC, na amostragem de testemunhos de sondagem e na auditoria de projetos de pesquisa mineral. O controle de qualidade é tratado como parte do trabalho de estimativa de recursos e reservas segundo os padrões JORC e NI 43-101, e não como uma etapa isolada.

Perguntas frequentes

QA/QC é obrigatório para reportar recursos minerais?

Os códigos JORC e NI 43-101 exigem que a qualidade dos dados seja demonstrada e discutida no relatório. Sem um programa de QA/QC documentado, o profissional responsável tem dificuldade para justificar a confiança na estimativa e na sua classificação.

Qual é a proporção ideal de amostras de controle?

Não existe um número único. A proporção depende do tipo de depósito, do estágio do projeto e do histórico de desempenho do laboratório, e deve estar definida no protocolo de QA/QC antes do início da campanha.

O que fazer quando um padrão falha?

O procedimento usual é investigar a causa, reanalisar o lote de amostras associado ao padrão e registrar a ocorrência e a ação corretiva no banco de dados, mantendo a rastreabilidade do resultado.